Doutorando em História da UCS desenvolve documento sobre patrimônio histórico em Libras

O professor de Libras e doutorando em História pela Universidade de Caxias do Sul, Carlos Ferreira, identificou, a partir da rotina profissional, a falta de acessibilidade a usuários da língua de sinais ao Manual dos Inventários Participativos. Publicado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Manual é uma ferramenta metodológica criada para que comunidades identifiquem, valorizem e protejam o que consideram seu patrimônio cultural.

A partir dessa constatação, Ferreira levou ao Programa de Pós-graduação em História (PPGHIS) da UCS a proposta para que o documento fosse adaptado para a língua de sinais, tornando-o inclusivo para a população surda. “Uma vez que é escrito em português, ele exclui, em um processo linguístico, os usuários de língua de sinais. Outro questionamento é se o patrimônio cultural das pessoas ouvintes é o mesmo das pessoas surdas”, reflete o doutorando, enfatizando a diferença da compreensão de mundo entre surdos e ouvintes.

O trabalho foi apresentado no 3º Ciclo de Oficinas e Debates Virtuais de Educação Patrimonial, promovido pelo Iphan no mês de dezembro. A explanação foi acompanhada pelo orientador da pesquisa, professor Roberto Radünz. A proposta, que será chamada de Ficha do Inventário Participativo para Usuários de Libras, foi bem recebida pelo Iphan, que reconheceu a necessidade de aprimoramento da ferramenta.

“As contribuições de pesquisadores, intérpretes de libras e de representantes da comunidade surda de Caxias do Sul sobre a tradução dos Inventários Participativos para Libras representaram um momento histórico no que diz respeito ao debate sobre processos de inclusão, de democratização e de acessibilidade na difusão de práticas e experiências em Educação Patrimonial”, assegurou a coordenadora de Educação Patrimonial e Formação do Iphan, Márcia Pacito Almeida.

Imagem: Apresentação da pesquisa durante evento do Iphan/Divulgação