
O Arquivo Histórico de Bento Gonçalves (AHBG) é a bússola de toda e qualquer pesquisa que orienta os caminhos oficiais da evolução do processo civilizatório, compreendendo os seus fatos e marcos. Sua importância reside no espaço que abre diálogos contínuos sobre o passado, sempre revisitado, de forma contínua, pelos pesquisadores. Sua abrangência pauta diversas áreas do conhecimento humano, como a Geografia, a Sociologia, a Arquitetura, e a própria História, exercidas em diversos estudos e trabalhos de nível escolar, acadêmico ou até mesmo na busca pessoal das raízes, de forma sazonal.
Sob a coordenação do historiador Vagner Boni, o AHBG conta com livros que são coletâneas de legislação, de editais, termos, contratos, além de registros de correspondência, tributos, entre outros. Ainda, o espaço tem fotografias, folders, selos, mapas, plantas, projetos, histórico de todas as edições da Fenavinho, hemeroteca e videoteca; sendo que alguns destes grupos, como fotografias (mais de 7.000) e folders (mais de 400), estão totalmente digitalizados.
O processo de digitalização de todos os documentos físicos está em mais de 80%. “Este é um processo fundamental, pois contribui para a preservação dos itens do acervo, uma vez que diminui a manipulação, ao mesmo tempo que possui cópias de segurança, além de facilitar a difusão do material”, enfatiza.
Outro aspecto importante da digitalização é a facilidade de pesquisa e busca, que, em conjunto com a catalogação, acelera o processo de pesquisa, otimizando o trabalho para preservar a informação gerada na sua originalidade, seja ela em carta, relatório, lei, códice, entre outros, da transição da Colônia Dona Isabel para a modernidade. Esses documentos são chamados de fontes primárias, que são os dados originais sobre o passado. Já as fontes secundárias são publicações, como compiladas em livro, realizadas pelo historiador com interpretações de fatos e vestígios à luz das ferramentas conceituais desenvolvidas para as leituras da História.
Assim, o Arquivo é ponto de partida e referência ao mesmo tempo, tendo recebido inúmeras solicitações de informações de diversas partes do país. Exemplo são turistas que vêm pesquisar sobre os seus antepassados que moravam em Bento, como de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Manaus, Mato Grosso, e até vão visitar o local onde esses antepassados moravam no interior.
Como ações de circulação e difusão de seus bens e conteúdos, Vagner ressalta a existência da página na internet do AHBG, onde pode ser encontrado o Plano Arquivístico, onde são abordadas a missão, objetivos, explicações sobre arquivística e o sistema municipal de arquivos, arcabouço legal e, principalmente, como é composto o acervo e todo o tratamento que é dado aos itens que o compõem, bem como, o plano de catalogação e sua organização. Além disso, nesta página também é possível acessar o catálogo do acervo e textos que abordam aspectos históricos, no formato de artigo científico.
A produção de artigos ocorre utilizando como base as próprias fontes da instituição, tendo sido publicados quatro até o momento, que podem ser acessados por meio deste link https://www.bentogoncalves.rs.gov.br/arquivo-historico/.
São fatos, curiosidades e aspectos que falam diretamente de cunho político, social, econômico, sanitário, entre outros, como os trajetos que percorriam a Estrada Geral e a Buarque de Macedo; o histórico do Complexo Municipal de Saúde (conhecido como Hospital Galassi); e o desenvolvimento urbano do bairro Cidade Alta dentro do recorte temporal de 1919-1999.
Mas as ações não param por aí: estão sendo trabalhados outros assuntos, cujos artigos devem ser lançados em breve, como um abordando o histórico da evolução territorial de Bento Gonçalves e outro sobre a história da ferrovia no município.
De acordo com o coordenador, estes textos são importantes pois reúnem dados históricos das fontes primárias do AHBG, que estão distribuídos em vários itens do acervo, relacionando com conteúdos de fontes secundárias (bibliografia), desta forma, consegue-se compilar os assuntos de um mesmo tema, que é disponibilizado na internet, através da página do Arquivo, ficando ao alcance de todos.
“Um aspecto importante é que todos os textos são elaborados dentro da metodologia científica, com a descrição detalhada das fontes, citações e notas de rodapé, sendo a primeira vez que o Arquivo Histórico produz algo com esta qualidade e, principalmente, que seja de ampla difusão, acessível para o público em qualquer parte do mundo”, ressalta.
O AHBG está situado na Travessa Cuiabá, 66 Sala Térrea, no bairro Botafogo e atente para agendamentos de pesquisadores através do e-mail [email protected].