Foto: Projeto Memórias em Mosaico/Divulgação
Foto: Projeto Memórias em Mosaico/Divulgação

Após as festividades de final de 2025, o Projeto Memórias em Mosaico retomou suas atividades no Centro Cultura Tuiuty. Sob a liderança da professora Cristiane Bitarelo, desde o final de junho do ano anterior, mais de 30 alunas estão aprendendo a técnica artística do mosaico para a realização do monumento que será instalado no próprio distrito.

E elas estão a pleno vapor na confecção de seis painéis que vai retratar a identidade local, da colonização italiana, da região e das tragédias climáticas de maio de 2024. Um processo de ressignificação onde boa parte do material foi coletado nos próprios deslizamentos como pedaços de azulejo, de espelho, de vidro, de piso, que vão criar histórias interligadas enfatizando, entre outros temas, a resiliência.

A coprodutora cultural do projeto Daniela Sandrin Copat, na ocasião, estava colocando a mão na massa e comenta sobre o seu sentimento da formação em progresso dos painéis. “Eu cheguei aqui hoje e fiquei ansiosa, pois agora está começando a ganhar forma, de terminar os detalhes, de alinhar as reuniões com a arquiteta Margit Arnold Fensterseifer para a questão estrutural da obra. Os elementos narrativos, os pedaços do material, estão começando a criar sentidos, pois fala diretamente às raízes e a memória, daquilo que fica, das pessoas que se foram, das que sobreviveram, das que testemunharam, das que ajudaram. Mostrar um povo resiliente, que conseguiu superar e reestruturar o cotidiano com dores e superações”, destaca Daniela.

Nesta empreitada de pura sensibilidade, várias mãos estiveram aprendendo e colaborando, pedacinho por pedacinho: mulheres de Bento Gonçalves, mas também de Garibaldi, de Caxias do Sul, de Farroupilha, e até mesmo, do Peru.

Naira Maria Rossi é moradora do próprio distrito e é dona de casa, tendo vivenciado toda a agonia e tensão da tragédia. “Para mim é muito emocionante. Eu vive a tragédia toda, muito próxima de mim e de minha casa. Tudo passava ali: ambulância, Exército, Bombeiros, PRF. Esse povo é muito forte; as feridas cicatrizaram, mas elas estão lá. Estar aqui e montar esse quebra-cabeça é uma emoção incrível para a posterioridade”, comenta Naira.

A coprodutora cultural Fernanda Tomasi destaca de como todo o processo está sendo rico para as pessoas e para as Artes Visuais. “É uma honra estar na coordenação das oficinas de estar acompanhando todo desenvolvimento do trabalho nas oficinas, de ver a evolução pessoal de cada aluno e também o lindo resultado que está se desenhando e sendo realizado de forma coletiva”.

“Memórias em Mosaico” foi aprovado via Lei Federal de Incentivo à Cultura – PRONAC 249606 – com patrocínio do Instituto Cultural Vale e apoio da Associação Vale das Antas.