O Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) tem o primeiro projeto patenteado. No dia 28 de abril de 2020, o Núcleo de Inovação Tecnológica da Pró-reitoria de Pesquisa, Pós-graduação e Inovação (Proppi) recebeu a carta de patente da Cadeira de Rodas com Sistema Rotular Bilateral de Dobramento da Estrutura Frontal. A invenção é fruto de pesquisa aplicada do professor do IFRS – Campus Caxias do Sul Juliano Cantarelli Toniolo em parceria do empresário Fábio Leandro de Lima da (Metalúrgica Lima e Mover Acessibilidade) de Caxias do Sul-RS. Com a patente, tanto o IFRS como a empresa se tornam proprietários do modelo de utilidade com garantia de direitos do projeto.

O aperfeiçoamento de produtos, processos e serviços existentes no mercado dão sentido imediato no cotidiano das pessoas, de acordo com Cantarelli: “Percebo, como servidor do IFRS, que trabalhar na linha voltada à pesquisa aplicada em cooperação com o setor produtivo é o caminho mais certo a ser seguido pelos Institutos Federais. Minha visão é que o depósito de novas patentes deverá ser, cada vez mais, estimulado e garantido como política pública.”

O projeto
A versão patenteada da Cadeira de Rodas com Sistema Rotular Bilateral de Dobramento da Estrutura Frontal é de alta resistência, e o diferencial está no modelo estrutural, que permite a dobra em “S”. Atualmente, segundo o professor, existem dois modelos no país: do tipo monobloco e a dobrável em “X”. “Solucionamos problemas identificados pelo Inmetro quanto ao atendimento de normas. Após projetar, prototipar e qualificar este novo modelo, oferecemos ao usuário com deficiência a facilidade de transporte do produto, o conforto e a segurança adequada”, explica Cantarelli.

Após assistir a uma reportagem, em 2013, sobre testes em cadeiras de rodas em que nenhuma das marcas nacionais testadas atendiam todos requisitos, como alinhamento, durabilidade, apoio para os pés, manípulos e freios, veio a ideia de desenvolver um protótipo. A partir daí, o professor passou a buscar parceria com empresa metalúrgica. Para testes e percepção dos usuários, a iniciativa contou com apoio da Fundação de Articulação e Desenvolvimento de Políticas Públicas para Pessoas com Deficiência e com Altas Habilidades no Rio Grande do Sul (Faders). O financiamento veio a partir de chamada pública do CNPq. Com apoio da Proppi (IFRS), foram encaminhados convênios, taxa do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), exigências técnicas para submissão do pedido de patente – em 2015 – e o encaminhamento de exame prioritário de invento da área da saúde.

Segundo Cantarelli, a etapa mais importante pela frente será tornar a cadeira de rodas um produto inovador no mercado por meio de seu licenciamento para outra instituição. “A fabricação da cadeira de rodas proposta requer escala industrial de produção para ser atraente na competição perante outros modelos existentes. Esta novidade terá o papel de elevar o padrão tecnológico de cadeiras de rodas no Brasil, sendo mais uma opção a ser utilizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e com isso fazer com que as demais concorrentes elevem o padrão de qualidade a níveis semelhantes. O nosso maior desejo com este projeto é que se torne um produto inovador para o mercado e seja destinado a atender principalmente às demandas do Sistema Único de Saúde (SUS).”

O IFRS dispõem de uma Política de Inovação que prevê contrato de transferência de tecnologia e de licenciamento com instituições públicas ou privadas. A instituição e o titular poderão ter ganhos devido aos direitos da patente. Interessados em relação ao licenciamento e transferência de tecnologia, o contato é via Núcleo de Inovação Tecnológica do IFRS, pelo e-mail nit@ifrs.edu.br


Marco Institucional

O pró-reitor de Pesquisa, Pós-graduação e Inovação, Eduardo Girotto, reforça que o papel do IFRS é atender demandas da sociedade e produzir conhecimento, colocando à disposição inovações que impulsionam o setor produtivo e que melhorem a qualidade de vida das pessoas: “Além disso, essa patente também representa o desfecho de uma política institucional do IFRS, que através do seu Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) proporciona o suporte técnico e fomento aos seus pesquisadores para que esses realizem a proteção das invenções oriundas de projetos de pesquisa e inovação.”

À época do encaminhamento da patente, o atual reitor do IFRS, Júlio Xandro Heck era pró-reitor na Proppi. Ele vê este ciclo se completando como uma maneira de motivar novas iniciativas: “Que possamos ser efetivos também na transferência de tecnologia, pois o resultado das nossas ações deve chegar a quem precisa”.

Participaram também do processo do depósito de patente o professor Erik Schuler e o professor Rodrigo Noll.

Fontes: Departamento de Comunicação / Foto: Divulgação

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