O documentário A Terra do Galo que Canta: As Vindimas da Canção Popular de Flores da Cunha, Rio Grande do Sul, será lançado nesta sexta-feira, 26 de novembro, às 19h30, no auditório da Casa de Cultura Flávio Luis Ferrarini, em Flores da Cunha. A atividade ocorre dentro da Semana das Letras do município.

A obra foi desenvolvida pela professora e historiadora Taísa Verdi, a partir da pesquisa para a dissertação do Mestrado Profissional em História, cursado na Universidade de Caxias do Sul entre 2016 e 2020, sob orientação da professora Eliana Gasparini Xerri – o mestrado profissional da UCS prevê elaboração de produto social com impactos para além da academia.

Vindimas da Canção Popular de Flores da Cunha, Rio Grande do Sul, foi um festival de músicas autorais e inéditas que ocorreu entre 1975 e 1993, circunscrito em uma época de festivais regionais e nacionais. Para além da relevância municipal, o evento impacta a história cultural e artística do estado, consolidando-se como o maior festival com categoria livre do RS e o segundo maior no contexto regional, atrás das famosas Califórnias da Canção Nativa, de Uruguaiana.

“A pesquisa e o documentário falam sobre a nossa história local, identidade e memória. Uma história belíssima que tanto me orgulha como cidadã florense, assim como muitos de meus pares. A história das Vindimas da Canção Popular se mistura com a própria história da cidade que, além de receber a alcunha de Terra do Galo, merece ser lembrada como a Terra do Galo que Canta”, considera Taísa.

O vídeo historiográfico reúne 11 entrevistas, realizadas de agosto a outubro de 2019, em um documentário de 45 minutos que poderá ser acompanhado em três episódios de 15 minutos, com os temas: a) o início das Vindimas da Canção Popular de Flores da Cunha, a cena cultural da cidade e funcionamento do festival; b) o cenário político da época, a participação do Clube dos Compositores de Porto Alegre e a atuação da censura no festival; e c) Flores da Cunha durante os dias de realização dos festivais das Vindimas da Canção Popular, a participação de intérpretes e compositores; além dos legados e lembranças dos festivais.

Após o lançamento, o conteúdo será disponibilizado via YouTube.

Percurso
A narrativa histórica do festival teve início, ainda, durante a graduação de Taísa em História na UCS, quando pesquisou os arquivos das Vindimas da Canção disponíveis no Arquivo Municipal Pedro Rossi, em Flores da Cunha. “À época, trabalhei com as músicas da 5ª edição das Vindimas da Canção, em 1979. Chamou a atenção, porque as letras das músicas tinham um carimbo de ‘Examinado e Liberado’. Fiz uma conexão, portanto, com o período histórico da Ditadura Civil-Militar no Brasil (1964-1985) – buscando encontrar uma ligação entre a atuação da censura nos festivais musicais, como a Vindima, aqui em Flores da Cunha”.

“Tanto a pesquisa, quanto o documentário, cumprem o objetivo inicial de construir um primeiro degrau de memória sobre a história dos festivais das Vindimas da Canção Popular em Flores da Cunha”, afirma a historiadora, que espera que o trabalho se constitua em fonte de pesquisa: “que venham a complementá-lo, questioná-lo – porque essa é a função da História. Além disso, o documentário pode ser plenamente usado para fins didáticos, uma vez que conectamos a nossa história local com a regional e nacional, com a época dos grandes festivais televisivos e mesmo com as questões políticas, culturais e sociais do contexto da Ditadura Civil-Militar no Brasil”, pontua.

Ficha Técnica:
Produção e Pesquisa: Taísa Verdi
Orientação acadêmica: Dra. Eliana Gasparini Xerri (UCS)
Captação de imagem e edição: Leandro Foscarini
Captação de Som: Ricardo Mabília
Gravação: Estúdio SONA
Entrevistados: Alberto Walter de Oliveira, Assis Ferreira Borges, Carlos Raimundo Paviani, Fátima Ortiz, Gissely Lovatto Vailatti, Ivo Gasparin, Ivone Maria Bolzan, Mirtes Facchin, Raquel Muraro Gaio, Renato Henrichs, Roque Alberto Zim.

Fonte: Assessoria de Comunicação / Foto: Taísa Verdi / Divulgação

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