Foto: Leandro Serafin, diretor artístico do Gramado in Concert/Crédito Rafael Cavalli
Foto: Leandro Serafin, diretor artístico do Gramado in Concert/Crédito Rafael Cavalli

Entre os dias 30 de janeiro e 7 de fevereiro de 2026, as ruas de Gramado serão preenchidas por acordes que unem continentes. A XII edição do Gramado in Concert não é apenas um festival de música; é um centro de alta qualificação que atrai talentos de 14 países e 22 estados brasileiros. No comando dessa engrenagem artística está o diretor Leandro Serafim, que vê no evento muito mais do que entretenimento: vê uma ferramenta de transformação social e profissional.

Para Serafim, a essência do festival reside no intercâmbio entre estudantes e um corpo docente de renome internacional. Nesta entrevista, ele detalha como o evento equilibra o rigor técnico da música clássica com a vibração da cultura popular e revela o impacto pessoal de realizar o festival em sua cidade natal.

A música como linguagem universal

Neste ano, o festival apresenta um contraste fascinante: da delicadeza de uma opereta de Mozart ao balanço do samba de Diogo Nogueira. Para o diretor, essa mistura é natural e necessária.

“Promovemos sempre a boa música, e ela não se refere a um determinado tipo de obra erudita ou popular. Pelo contrário, refere-se à música bem feita, com uma base formativa sólida e princípios artísticos elevados”, explica Leandro.

O desafio de harmonizar o mundo em nove dias

Com 340 estudantes selecionados entre mais de 750 inscritos — incluindo jovens da Rússia, Estados Unidos e diversos países da América Latina —, a logística é complexa. O desafio é integrar músicos que, muitas vezes, não se conhecem, para que em menos de uma semana formem orquestras e bandas sinfônicas de alto nível.

Leandro destaca que o trabalho é contínuo: “Apesar do festival ter duração de nove dias, sua organização acontece ao longo de 365 dias. É preciso muito planejamento para que esses talentos apresentem uma programação intensa e diversa em tão pouco tempo“.

Formando solistas e cidadãos

Um dos pilares do evento é o Concurso Jovens Solistas. Para Serafim, a competição vai além do prêmio em dinheiro. É um preparo psicológico para a vida profissional. “Os alunos precisam aprender a lidar com a ansiedade da avaliação externa. No festival, fazemos isso com todo cuidado. Todos os participantes vencem pela experiência que será relevante em seleções futuras”, afirma.

Oportunidade para todos: O projeto Conhecendo o Festival

Para aproximar o público leigo, o diretor aposta em ações formativas que abrem os bastidores. O público pode acompanhar ensaios e entender o papel do maestro e dos instrumentos. “Queremos que as pessoas matem a curiosidade sobre o que acontece por trás das cortinas e como são resolvidos os problemas técnicos e estéticos para que as apresentações sejam impecáveis”, pontua.

Um legado pessoal e profissional

O envolvimento de Leandro Serafim com a música em Gramado tem raízes profundas. Ele recorda que sua própria trajetória foi definida ao assistir a uma orquestra na Rua Coberta quando ainda era adolescente.

Aquele concerto me tirou do bairro Piratini e me deu um norte. Hoje, com mestrado e dois doutorados, tento prospectar esse caminho para muitos outros estudantes. Qual será o impacto na vida desse jovem que foi a um concerto pela primeira vez e descobriu um mundo novo? Esse é, sem dúvida, o maior legado”, conclui o diretor.

O 12º Gramado In Concert é apresentado pelo Ministério da Cultura e Secretaria de Estado da Cultura.