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Morre o escritor Luis Fernando Verissimo, aos 88 anos

Foto: Luis Fernando Verissimo/Reprodução/Frame Intenet
Foto: Luis Fernando Verissimo/Reprodução/Frame Intenet

O Brasil se despede de um de seus maiores cronistas na manhã deste sábado (30). O escritor Luis Fernando Verissimo morreu, aos 88 anos, em Porto Alegre, após ficar internado por quase duas semanas no hospital Moinhos de Vento. Ele deixa a esposa Lucia Helena, os filhos Pedro, Mariana e Fernanda, além dos netos Lucinda e Davi.

Luis Fernando Verissimo enfrentava um quadro de pneumonia e, desde janeiro de 2021, enfrentava diversos problemas de saúde após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC). De acordo com a família, sua situação se agravou no último dia 17. Desde então, boletins médicos divulgados informavam que ele seguia em tratamento na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), recebendo as medidas de suporte necessárias, mas em estado grave.

Carreira

Filho do escritor Erico Verissimo e de Mafalda Verissimo, Luis Fernando nasceu em 26 de setembro de 1936, em Porto Alegre. Viveu parte de sua infância nos Estados Unidos, com a família, enquanto seu pai lecionava em universidades americanas. Por consequência, cursou parte do ensino primário em San Francisco e Los Angeles, e concluiu o secundário em Washington.

Seguindo os passos do pai na literatura, tornou-se conhecido por seus textos, em especial crônicas, contos e poemas. Na década de 1980, além de sua obra mais famosa, “O Analista de Bagé”, publicou também “Sexo na Cabeça”, “A Mesa Voadora”, “O Jardim do Diabo” e “Orgias”; nos anos 1990, “O Santinho”, “A Eterna Privação do Zagueiro Absoluto”, “Gula – O Clube dos Anjos” e “Histórias Brasileiras de Verão”; na década de 2000, “A Décima Segunda Noite”, “Banquete Com Os Deuses”, “Comédias Para Se Ler Na Escola” e “Os Espiões”; e também obras mais recentes como “Diálogos Impossíveis” e “Os Últimos Quartetos de Beethoven e Outros Contos”.

Somou mais de 80 livros publicados e quase 6 milhões de cópias vendidas. Além das obras próprias, escrevia colunas para jornais de grande circulação, como O Estado de S.Paulo, Zero Hora e O Globo.

De 1970 a 1975, trabalhou na Folha da Manhã, onde manteve sua coluna diária na página 4 do jornal matutino, escrevendo sobre esporte, cinema, literatura, música, gastronomia, política e comportamento, sempre com ironia e ideias muito particulares sobre os temas, além de pequenos contos de humor que ilustram seus pontos de vista.

Paixão pela música

Em 1995, por iniciativa do contrabaixista Jorge Gerhardt, foi criado o grupo Jazz 6, considerado “o menor sexteto do mundo”, com apenas cinco integrantes: Luis Fernando Verissimo no saxofone e Jorge Gerhardt no contrabaixo, além de Luiz Fernando Rocha (trompete e flugelhorn), Adão Pinheiro (piano) e Gilberto Lima (bateria). Com Gerhardt, Rocha, Pinheiro e Lima “músicos em tempo integral”, o grupo dependia da agenda de Verissimo para realizar apresentações, mas chegaram a lançar cinco CDs: “Agora é a Hora” (1997), “Speak Low” (2000), “A Bossa do Jazz” (2003), “Four” (2006) e “Nas Nuvens” (2011).