Foto/Arquivo Pessoal

Vivemos em mundo onde estamos sempre correndo, sem tempo para quase nada, presos muitas vezes em uma rotina. Quando paramos para olhar pela janela já anoiteceu e ainda tem papéis a serem revisados, reuniões a serem marcadas e planejamentos.

Essa loucura do mundo corporativo, levou a engenheira de produção Marina Storch a largar a vida de correria para explorar o mundo em viagens. Em 2017, ela estava em um processo terapêutico de descobertas internas que a levaram a mudar de vida.

Percebi que eu não via mais sentido na minha carreira e rotina e que queria mais, queria explorar o mundo, novas culturas, línguas e áreas de conhecimento”, destaca Marina.

Sobre a reação da família, Marina comentou que recebeu todo o apoio ao decidir se aventurar pelo mundo, o que foi fundamental para seguir adiante. Antes de fazer a primeira viagem, ela se organizou financeiramente para o destino escolhido: Índia.

Comecei desapegando de excessos, vendi móveis, bicicleta, roupas, acessórios, sapatos, doei muita coisa. Coloquei meu apartamento para alugar e fiquei com um mochilão de, inicialmente, 17 quilos para começar minha viagem pela Ásia. Logo doei mais roupas e este mochilão passou a ter 11 quilos e me acompanhar pelos meses seguintes.”

Quando questionada do porquê da escolha da Índia para ser o primeiro país a ser explorado, ela ressalta: “eu fui atrás de uma formação em yoga, logo segui explorando países asiáticos como Filipinas, Indonésia, Nepal, Myanmar, Sri Lanka, foram 9 meses em quase 10 países asiáticos antes de seguir viagem pela Europa”.

Marina já viajou para mais de 50 países em quatro anos, nesse período ela fez cursos, conheceu pessoas, visitou comunidades, festivais, tudo sozinha. Ela comentou que no começo da jornada até sentiu medo de se aventurar sozinha, mas, que hoje já é bem mais tranquilo.

Tive medo antes de pisar na Índia, as pessoas me colocavam medo, mesmo sem nunca terem estado lá. Depois aprendi que se respeitamos a cultura local, somos respeitadas. Passei a me vestir como eles, roupas largas, cobrindo pernas e ombros, postura firme, ao mesmo tempo que me permitia fazer amigos locais, e assim fui me sentindo mais segura na Índia do que no Brasil. Lógico que viajando os cuidados são redobrados: sempre escondo bem meu passaporte, carteira e celular, evito sair durante a noite, evito bebidas alcoólicas, ouço minha intuição e me conecto com demais viajantes para sempre estar acompanhada. Aprendi também que viajar sozinha é nunca estar sozinha.”

Recentemente, Mariana visitou a Serra Gaúcha explorando os municípios Canela, Gramado, Caxias do Sul, Nova Petrópolis e Farroupilha a pé, por meio dos Caminhos de Caravaggio durante sete dias. Ela comentou que já conhecia algumas vinícolas da região, mas que agora passando por mais cidades ficou encantada com a beleza da serra.

Acredito que peregrinando prestamos mais atenção à natureza, aos sons, aos cheiros, foi muito lindo.”

Marina conheceu o Santuário de Caravaggio, um dos pontos turísticos de Farroupilha, além de provar da culinária gaúcha.

É muito bonito, de uma paz, e uma vista ainda mais compensadora. Fui muito bem recebida pelo padre Gilnei que ainda me entregou o Certificado de Peregrina. Sou vegetariana, e este estado é bastante carnívoro, nem sempre conseguia boas opções para comer sem carnes. Porém, fui muito bem alimentada por famílias italianas que me serviram excelentes massas no caminho! Gostei também de provar a Cuca e a tal da Cueca Virada!”.

O próximo destino ainda não foi decidido, Marina embarca nos próximos dias para a Europa onde ficará o verão trabalhando para planejar a próxima viagem. Ela comentou que não tem uma residência fixa, e nos últimos 4 anos residiu no máximo 4 meses na mesma casa, mas por conta da pandemia, tem vivido entre Brasil e Dinamarca, tentando trabalhar em cada verão local.

Durante as viagens, Marina escreveu o livro PNEUMA: uma jornada de liberdade, onde comenta as experiências vividas em suas andanças pelo mundo, além de escrever também para o seu blog mudei a rota.

Foi muito gostoso e terapêutico escrever o livro, pois pude revisitar cada lugar e sensação de minha longa viagem de 3 anos. Na produção, por ser escritora de primeira viagem, contei com o apoio da Editora Livr(a) que me deu todo o suporte. Mas a melhor parte foi receber comentários dos primeiros leitores em dezembro passado.”

Conversamos com a Marina em um ping-pong sobre algumas curiosidades de suas viagens:

Você se sente realizada? Muito! Mas sempre em busca de novos sonhos e realizações, mudamos o tempo todo, e sempre queremos experiências novas, ainda bem!

O que Marina de hoje diria para a Marina engenheira? “Obrigada por ter aprendido sobre planejamento e gestão financeira, foram fundamentais para a vida nômade e empreendedora de hoje!”

Como se descreveria? Multipotencial seguindo meu instinto. Escritora, terapeuta, peregrina, professora de yoga, encorajando mulheres a ousarem.

Pensa em algum dia voltar ao mundo corporativo? Hoje não, mas a vida pode me surpreender positivamente quanto a isso.

Onde resides atualmente? Me considero nômade, nos últimos 4 anos residi no máximo 4 meses na mesma casa, mas por conta da pandemia, tenho vivido ultimamente entre Brasil e Dinamarca.

Tem algum lugar que mais te marcou? Índia com certeza, é de uma cultura riquíssima, uma culinária excepcional, e uma loucura ao mesmo tempo. E a Islândia me marcou muito também, pelas belezas naturais e Aurora Boreal.

Algum lugar que não voltaria? Acho que nunca mais faço a trilha até o campo base do Everest, pra mim foi muito difícil, a altitude me fez muito mal, 12 dias de cansaço físico e emocional, não pretendo repetir.

Lugar que sonha em visitar? O Egito e o Irã, por motivos diferentes, mas estão na minha lista de desejos quando o turismo abrir.

Uma mensagem que tu deixa: Não deixem a vida passar sem ser vivida.

Para acompanhar as aventuras da Marina basta seguir os canais na internet @mudeiarota e visitar junto com ela lugares incríveis do mundo.

 

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