Sites como o Opendesk têm disponibilizado para download projetos “open source” de mesas, cadeiras, estantes e outros tipos de mobília para aqueles que desejarem fabricar seus próprios móveis ou encomendá-los ao marceneiro mais próximo.

A ideia do móvel open source é que o usuário faça o download do projeto e o envie para uma máquina CNC, uma fresadora que corta chapas de madeira a partir de um arquivo digital. Com as peças cortadas, basta montar. No Opendesk, é possível baixar um projeto para cortar e montar o móvel em um FabLab (abreviação para “laboratório de fabricação”, em inglês) ou em uma oficina pessoal, ou, através do site, ser conectado a um fornecedor próximo de sua localização. Em conjunto com o Vitra Design Museum, na Alemanha, o Opendesk lançou um manifesto em defesa da prática de “open making”, que propõe democratizar o design e a produção, tornando-os mais colaborativos e conscientes, e repensando a maneira como bens e serviços são produzidos e distribuídos em escala global.

O significado de open source
O termo open source (fonte disponível) surgiu na década de 1990. Originalmente, tinha relação com o trabalho de desenvolvedores de software que disponibilizam códigos-fonte para uso, redistribuição e modificação por qualquer pessoa. Apesar de alguns serem disponibilizados gratuitamente, os projetos de móveis Open Source têm uma patente que protege os direitos de propriedade intelectual do criador. Podem ser baixados para uso pessoal, mas não podem produzidos para a venda e tem outras restrições a depender da licença definida pelo criador. Ao Nexo, o designer, arquiteto e professor do Istituto Europeo de Design Henrique Stabile afirma que o fato de a licença dos projetos não ser livre, e sim aberta, além da exigência de equipamentos especializados e de conhecimento técnico avançado para produzir, ainda impede que os móveis sejam feitos por qualquer pessoa. No Brasil, além disso, os materiais utilizados na fabricação de móveis, como madeira e compensados, variam muito de acordo com a região e apresentam problemas de regulamentação, o que muitas vezes dificulta a padronização da produção quando feita em diferentes lugares, o mais próximo possível de seu cliente final. Ainda assim, para Stabile, as plataformas que trabalham com projetos open source são uma ferramenta importante de difusão de conhecimento, utilizada por estudantes de design e outros interessados.

Onde encontrar projetos open source
Além do Opendesk, que possui atualmente cerca de 30 móveis disponíveis para download, a Designoteca é uma plataforma brasileira na qual designers disponibilizam suas criações para download gratuito, em alguns casos, ou mediante um pagamento ao próprio criador, para que o usuário transforme o projeto em produto através de uma impressora 3D. Também funciona como uma rede social que conecta criadores e clientes, incentivando-os a comprarem produtos de criadores locais ou que sejam fabricados por um fornecedor geograficamente próximo. Ela não traz somente projetos de móveis, mas de vários tipos de produto, como acessórios e itens de decoração.

Quais as vantagens
A ideia é que, ao conectar designers, produtores locais e clientes, as plataformas eliminem intermediários, custos de exportação e importação e minimizem também custos de logística e distribuição. “Em vez comprar um móvel pela internet e tê-lo entregue do outro lado do país, os móveis open source fazem a economia local girar – já que a ideia é que o móvel seja fabricado o mais próximo possível de onde ele vai ser usado”, diz uma reportagem do site especializado Archdaily. “Compartilhe globalmente e produza localmente” é um dos slogans da tendência de móveis open source. Para os designers, mesmo quando não se lucra diretamente com os downloads, os projetos open source oferecem a vantagem de distribuir globalmente suas criações, tornando seu trabalho conhecido e aumentando a quantidade de potenciais clientes. Apesar do número crescente de downloads e de móveis produzidos dessa maneira pelo mundo, a tendência ainda é muito recente. Se o movimento parece ser uma revolução e ter vindo para ficar, como aponta a reportagem do Archdaily, ainda há questões a serem resolvidas, como a falta de controle quanto ao uso comercial dos projetos.

Cultura maker
O conceito de Fab Lab, os laboratórios de fabricação já mencionados, faz parte da chamada “cultura maker” e do “faça você mesmo”. Traduzindo ao pé da letra, um maker é um “fazedor”: alguém que põe a mão na massa. O termo “Fab Lab” define espaços que participam da rede Fab Foundation, que expandiu um conceito de laboratório criado em 2001 no MIT, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos EUA. É uma rede que conecta centenas de Fab Labs ao redor do mundo e os ajuda a trocar conhecimentos. No Brasil, quem responde à associação é a Fab Lab Brasil Network. O movimento maker consiste na apropriação “de uma porção de ferramentas, equipamentos e conhecimentos ligados ao universo da eletrônica e robótica, junto com técnicas não digitais como marcenaria, artesanato e permacultura, para criar diversos produtos e ações” disse Gabriela Agustini, responsável pelo Olabi, laboratório maker no Rio de Janeiro, em entrevista ao Nexo em 2015. O trabalho de um maker pode ser aplicado para resolver algum problema imediato, criar um novo negócio ou como hobby.

Fonte: Nexo / Foto: Divulgação

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