Foto: Freepik
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No Viva com Saúde de hoje vamos falar sobre os riscos nutricionais do uso prolongado do medicamento omeprazol.

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo e da Faculdade de Medicina do ABC alerta que o uso prolongado de inibidores da bomba de prótons pode prejudicar a absorção de nutrientes.

A classe de medicamentos, representada por fármacos como omeprazol, pantoprazol e esomeprazol, é utilizada no tratamento de distúrbios gástricos e seu uso inadequado, por períodos superiores aos recomendados por médicos, pode causar deficiências nutricionais, como anemia, além de comprometer a saúde óssea. Os resultados foram publicados na revista ACS Omega.

A pesquisa avaliou os efeitos do uso contínuo desse medicamento na absorção de minerais essenciais como ferro, cálcio, zinco, magnésio, cobre e potássio em ratos. Os animais que receberam o medicamento apresentaram alterações na distribuição desses nutrientes pelo organismo.

Os pesquisadores observaram que o medicamento altera a distribuição de minerais no corpo, com acúmulo no estômago e desequilíbrios no baço e no fígado. No sangue, observaram aumento de cálcio e queda de ferro, indicando risco de osteoporose e anemia. Também foram detectadas mudanças importantes nas células do sistema imune.

O achado mais preocupante foi o aumento significativo de cálcio na corrente sanguínea dos animais testados, o que pode indicar um desequilíbrio com a retirada do mineral dos ossos e risco futuro de osteoporose. No entanto, são necessários estudos mais longos para confirmar essa hipótese, afirmam os pesquisadores. Segundo eles, não se trata de demonizar o medicamento, que é eficaz para diversas condições gástricas. O problema é o uso banalizado, inclusive para sintomas leves como azia, e por períodos prolongados por meses e até anos. Seus efeitos adversos não devem ser negligenciados.

De acordo com a Anvisa, a inclusão do omeprazol 20 mg como medicamento isento de prescrição (MIP) representa “um avanço na racionalização do seu uso e na promoção do uso seguro e responsável”.A Anvisa esclarece, ainda, que as embalagens que possuam número de cápsulas que extrapolem um tratamento de até 14 dias não poderão ser comercializadas sem receita médica.